segunda-feira, 24 de agosto de 2009

O Letal vírus G

Durante os anos em que fiz meu curso de graduação em Letras fui infectada com o
letal e extremamente nocivo vírus G. Este perigoso vírus tem sido transmitido a muitas
gerações de professores, especialmente os de português. E vem causando danos irreparáveis
a uma imensa parcela de alunos nos quatro cantos de nosso país.
Descubra caro colega, se você também foi infectado por ele e ainda não está
diagnosticado. Seus principais sintomas são: aulas focadas em tópicos gramaticais, listagemde
certo e errado na língua, listas intermináveis de exercícios, “decoreba” de regras (como por
exemplo, a da crase), reprodução da “ladainha” dos modos e tempos verbais, uso do texto
para fins específicos de um ponto gramatical, etc. Se você apresenta um ou mais destes
sintomas, sinto muito: você tambémfoi infectado pelo vírus G, ou vírus da Gramática.
Não quero dizer com isso, que ensinar gramática é um erro. Tudo depende da sua
concepção do que é e de qual gramática ensinar, é claro!
O que quero dizer é que no curso de graduação que fiz, lá no distante século passado,
havia transmissão da gramática normativa apenas. E isto causou sérios danos em meu
desempenho profissional. Pois muitas aulas meramente gramaticais eu dei. E hoje percebo
porque elas,muitas vezes, eram chatas e desmotivadoras.
Mas há antídoto para o vírus G. Só que ele começa a agir lentamente e poderá levar
muitos anos para se obter uma cura. No início do tratamento você deverá tomar doses
maciças do vírus L, ou vírus da Linguística.
Você deverá recorrer a estes estudiosos e beber diretamente em sua fonte. Ou seja,
ler muito. Estudar. Concordar. Discordar. Para com isso mudar! Reveja os Parâmetros
Curriculares Nacionais. Pesquise bibliografia na internet. Descubra Sírio Possenti, Marcos
Bagno, Ataliba Castilho, Irandé Antunes. Faça cursos de atualização legítimos. Ocupe uma
pequena parte de seu tempo extra com isso e você perceberá as mudanças na organização de
sua aula e principalmente no interesse dos alunos por ela.
Mudança. Esta é a palavra de ordem. Não teremos sucesso na transformação da escola
que todos dizemos querer, se não houver boa-vontade e interesse em mudar. Não adianta

Luciana Melo/RS em 17/07/2009

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